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Ela não conseguia compreender toda a história que até agora vivia. Tudo aconteceu realmente? Ou na morte nada muda? Apenas as pessoas que amamos são afastadas de nós?
Estava confusa demais. Aquele beijo tornou-se o mais longo de sua não-vida. Mas logo, tudo aquilo acabaria. E os recados? Ilusões da morte?
Depois do beijo, Ana fora sugada pelo vento, ela não sentia mais seu corpo, não sentia cheiro, nem ouvia sons. Estava no nada havia se tornado o nada. O incrível, é que ela continuava sentindo seu coração bater. A angústia ainda a dominava.
- Eu nunca mais verei aqueles que amo?
Quatro dias depois da morte de Ana, um fato estranho ocorrera na casa dele. Foi como se sentisse a presença dela, quando fora até a caixa de correio e encontrara uma fotografia de Ana, com aquele turbante colorido, usado como faixa em seus cabelos cacheados negros, que desciam até o ombro. Havia voltado para casa, da faculdade, depois do doloroso fato e não conseguia mais fazer nada. Executar sua tão sonhada profissão de arquiteto. Aquilo fora um beijo? Sentiu até mesmo, o perfume de pêssego e ginseng de Ana. Depois um forte vento, que começou a rodear todo o casarão. Aquele vento forte fez lágrimas caírem de seu rosto, como se o ar em movimento entrasse em suas entranhas e o fizesse viver, os momentos que não o faziam esquecer-se dela, novamente.
Ele voltara a acreditar em Deus. Mesmo depois disso.
- Onde eu estou?
Ana se sentia reconfortada onde estava, porém não reconhecia. ‘Será outro país? Mas como, se estou morta? Oi, quem é você?' Alguém chegava perto de dela. De casaco vermelho; ‘Esperai um pouco, é o mesmo ou a mesma, da história nos bolsos!', finalmente deu-se conta que depois do encontro com as vestes vermelhas tudo isso teve início. Essa história mirabolante. Tomou-se conta de que finalmente voltava à forma humana, porém em lugar nenhum, já que nunca havia estado ali antes. ‘Finalmente descobriu que está morta Ana, já não era sem tempo', dissera sem cerimônia nenhuma, mostrando seu rosto magro, um contraste com o dela que era um tanto quanto gorducho. Devia ser pelas horas, debruçada em sua cama, lendo e lendo, e mastigando sempre que a vontade de comer lhe batesse a porta.
Ana sentia suas pernas tremerem, e se arrepiava toda, porém, não era frio. Estava claro como dia, imaginara até que a morte seria algo ruim, mas até agora, o fato de os corações estarem longe era realmente a pior situação. Estava sentada, com a mesma roupa, que estava à frente da casa Dele, calça jeans, uma camiseta branca com a inscrição: EU SEI, em letras garrafais, e logo abaixo, com letras miudinhas, nada sobre este mundo. Estava descalça, e nem se importava com isso, sentia-se simplesmente bem. Era um lago. Terra pura para segura-lo. E lá estava sentada com se estivesse ali há muito tempo, até o momento em que o sujeito, distinguiu que era um homem, sentasse ao lado seu.




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